Conecte-se conosco

Educação

Alto Alegre: Aluno Esdras da Escola Artur recebe medalha de ouro

Publicado

em

Aos Leitores, ler com atenção:
Este site acompanha casos policiais. Todos os conduzidos são tratados como suspeitos e é presumida sua inocência até que se prove ao contrário. Recomenda-se ao leitor critério ao analisar as reportagens.

Esdras Vieira Silva, cursista do 9º ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual Artur da Costa e Silva, recebeu medalha ouro da Olimpíada Brasileira de Astronomia – OBA. Ele realizou a prova da 23º Olimpíada Brasileira de Astronomia em 2020 e, devido ao seu bom desempenho na avaliação de conhecimento, se destacou nacionalmente.
Com apenas 13 anos, Esdras sempre foi um aluno dedicado, por isso teve seu empenho reconhecido com uma medalha. Filho do professor Adauto Costa da Silva e da dona de casa Maria Lucia Vieira Costa, que sempre o incentiva a se empenhar nos estudos. Nessa olimpíada, foi estimulado por sua professora de Ciências Edna Maria de Souza a participar e se destacou na prova de conhecimento. Devido à pandemia, a prova foi realizada virtualmente nos dias 12 e 13 de Novembro de 2020.
A escola Artur da Costa e Silva tem inscrito alunos na OBA desde 2016, e sempre tem destacado alunos nas provas teóricas e práticas. A Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) é organizada anualmente pela Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB).

Por professor Mestre Jociel Antonio Gonçalves 

--Publicidade--
Clique para comentar

Deixe uma resposta

Educação

Seduc realiza live em comemoração ao Dia do Orgulho Autista nesta quinta-feira, 17

Publicado

em

A Secretaria de Estado da Educação de Rondônia (Seduc) realiza no dia 17 de junho, das 9h às 10h30, uma live em comemoração ao Dia do Orgulho Autista, comemorado em 18 de junho, com o tema “Autismo não é doença, é apenas uma diferença”.

A live tem o objetivo de fomentar junto à sociedade a conscientização de que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) não é uma doença e sim uma neurodiversidade, visando o fortalecimento do processo de inclusão escolar e trabalhando na construção de uma política pública inclusiva, que elimina a discriminação e a segregação.

A chefe de Núcleo de Educação Especial da Gerência de Educação Básica, Heluizia Patrícia Lara, destacou a importância de fomentar a conscientização e a quebra de estigmas e preconceitos, para que o autismo tenha seus direitos assegurados. “As adaptações básicas necessárias à inclusão deste educando, em geral, passa pelas esferas atitudinais, sócias e de comunicação no ambiente escolar”.

O curso contará com a participação de ministrante Professora Ana Paula Patente, autora do livro “Guia Definitivo para Elaborar o PDI”, que trabalhou por 14 anos com a inclusão escolar na Rede Estadual de Minas Gerais.

A live será transmitida ao vivo pelo canal da Mediação Tecnológica Rondônia e pelo perfil oficial da Seduc RO no Facebook, destinado a toda a comunidade escolar.

Fonte
Texto: Valéria Rodrigues
Fotos: Lidiane Pereira
Secom – Governo de Rondônia

Continue lendo

Educação

LEIA SETE REDAÇÕES NOTA MIL NO ENEM 2020

Publicado

em

Um recurso utilizado por quase todos os estudantes com nota máxima foi citar filmes, livros e pensadores.

Na última sexta-feira, 29 de maio, o Inep disponibilizou o espelho da redação do Enem 2020. Com a divulgação, sete dos 28 participantes que alcançaram a nota 1.000 na redação nos enviaram seus textos.

Todos eles participaram da versão impressa do Enem 2020, cujo tema foi “O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira”. No final de março, quando o resultado do exame foi divulgado, alguns deles deram dicas para a prova de redação.

Leia abaixo as redações nota máxima no Enem 2020:

Adrielly Clara Enriques Dias, de Conselheiro Lafaiete/MG

No filme estadunidense “Joker”, estrelado por Joaquin Phoenix, é retratado a vida de Arthur Fleck, um homem que, em virtude de sua doença mental, é esquecido e discriminado pela sociedade, acarretando, inclusive, piora no seu quadro clínico. Assim, como na obra cinematográfica abordada, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, devido a conceitos preconceituosos perpetuados ao longo da história humana, há um estigma relacionado aos transtornos mentais, uma vez que os indivíduos que sofrem dessas condições são marginalizados. Ademais, é preciso salientar, ainda, que a sociedade atual carece de informações a respeito de tal assunto, o que gera um estranhamento em torno da questão.

Em primeiro lugar, faz-se necessário mencionar o período da Idade Média, na Europa, em que os doentes mentais eram vistos como serem demoníacos, já que, naquela época, não havia estudos acerca dessa temática e, consequentemente, ideais absurdas eram disseminadas como verdade. É perceptível, então, que existe uma raiz histórica para o estigma atual vivenciado por pessoas que têm transtornos mentais, ocasionando um intenso preconceito e exclusão. Outrossim, não se pode esquecer de que, graças aos fatos supracitados, tais indivíduos recebem rótulos mentirosos, como, por exemplo, estereótipo de que todos que possuem problemas psicológicos são incapazes de manter relacionamentos saudáveis, ou seja, não conseguem interagir com outros seres humanos de forma plena. Fica claro, pois, que as doenças mentais são tratadas de forma equivocada, ferindo a dignidade de toda a população.

Em segundo lugar, ressalta-se que já, no Brasil, uma evidente falta de informações sobre transtornos mentais, fomentando grande preconceito e estranhamento com essas doenças. Nesse sentido, é lícito referenciar o filósofo grego Platão, que, em sua obra à República, narrou o intitulado “Mito da Caverna”, no qual homens, acorrentados em uma caverna, viam somente sombras na parede, acreditando, portanto, que aquilo era a realidade das coisas. Dessa forma, é notório que, em situação análoga à metáfora abordada, os brasileiros, sem acesso aos conhecimentos acerca dos transtornos mentais, vivem na escuridão, isto é, ignorância, disseminando atitudes preconceituosas. Logo, é evidente a grande importância das informações, haja vista que a falta delas aumenta o estigma relacionado às doenças mentais, prejudicando a qualidade de vida das pessoas que sofrem com tais transtornos.

Destarte, medidas são necessárias para resolver os problemas discutidos. Isto posto, cabe à escola, forte ferramenta de formação de opinião, realizar rodas de conversa com os alunos sobre a problemática do preconceito com os transtornos mentais, além de trazer informações científicas sobre tal questão. Essa ação pode se concretizar por meio da atuação de psiquiatras e professores de sociologia, estes irão desconstruir a visão discriminatória dos estudantes, enquanto que aqueles irão mostrar dados/informações relevantes sobre as doenças psiquiátricas. Espera-se, com essa medida, que o estigma associado às doenças mentais seja paulatinamente erradicado.

Aline Soares Alves, de João Pessoa/PB

O Filme O Coringa retrata a história de um homem que possui uma doença mental e, por não possuir atendimento psiquiátrico adequado, ocorre o agravamento do seu quadro clínico. Com essa abordagem, a obra revela a importância da saúde psicológica para um bom convívio social. Hodiernamente, fora da ficção, muitos brasileiros enfrentam situação semelhante, o que colabora para a piora da saúde populacional e para a persistência do estigma relacionado à doença psicológica. Dessa forma, por causa da negligência estatal, além da desinformação populacional, essas consequências se agravam na sociedade brasileira.

Em primeiro lugar, a negligência do Estado, no que range à saúde mental, é um dos fatores que impedem esse processo. Nessa perspectiva, a escassez de projetos estatais que visem à assistência psiquiátrica na sociedade contribui para a precariedade desse setor e para a continuidade do estigma envolvendo essa temática. Dessa maneira, parte da população deixa de possuir tratamento adequado, o que resulta na piora de sua doença mental e na sua exclusão social. No entanto, apesar da Constituição Federal de 1988 determinar como direito fundamental do cidadão brasileiro o acesso à saúde de qualidade, essa lei não é concretizada, pois não há investimentos estatais suficientes nessa área. Diante dos fatos apresentados, é imprescindível uma ação do Estado para mudar essa realidade.

Nota-se, outrossim, que a desinformação na sociedade é outra problemática em relação ao estigma acerca dos distúrbios mentais. Nesse aspecto, devido à escassez da divulgação de informações nas redes midiáticas sobre a importância da identificação e do tratamento das doenças psicológicas, há a relativização desses quadros clínicos na sociedade. Desse modo, assim como é retratado no filme O Lado Bom da Vida, o qual mostra a dificuldade da inclusão de pessoas com doenças mentais na sociedade, parte da população brasileira enfrenta esse desafio. Com efeito, essa parcela da sociedade fica à margem do convívio social, tendo em vista a prevalência do desrespeito e do preconceito na população. Nesse cenário, faz-se necessária uma mudança na postura das redes midiáticas.

Portanto, vistos os desafios que contribuem para o estigma associado aos transtornos mentais, é mister uma atuação governamental para combatê-los. Diante disso, o Ministério da Saúde deve intensificar a criação de atendimentos psiquiátricos públicos, com o objetivo de melhorar a saúde mental da população e garantir o seu direito. Para tal, é necessário um direcionamento de verbas para a contratação dos profissionais responsáveis pelo projeto, a fim de proporcionar uma assistência de qualidade para a sociedade. Além disso, o Ministério de Comunicações deve divulgar informações nas redes midiáticas sobre a importância do respeito às pessoas com doenças psicológicas e da identificação precoce desses quadros. Mediante a essas ações concretas, a realidade do filme O Coringa tão somente figurará nas telas dos cinemas.

Pratique sua redação para o Enem no Banco de Redações

Ingrid Bascef, de Campinas/SP

Na obra “Quincas Borba”, de Machado de Assis, é mencionada a trajetória de Rubião que, após receber grande herança e atrair vários amigos, é acometido por uma enfermidade mental, fazendo com que seus conhecidos se afastassem e que fosse abandonado em um hospital psiquiátrico. Fora da ficção, o estigma associado às doenças mentais também é presente na sociedade brasileira, haja vista que muitos indivíduos com transtornos dessa ordem são excluídos da sociedade e que muitas pessoas com sintomas de desequilíbrio mental não buscam ajuda.

Em primeiro lugar, é relevante destacar que o estigma associado às doenças mentais faz com que as pessoas acometidas por essas enfermidades sejam excluídas do meio social. Nesse sentido, Nise da Silveira, médica psiquiatra, revelou que muitas famílias se envergonham por terem um ente com transtornos mentais e optam por o deixar, de forma vitalícia e quase sem visitas, em hospitais especializados. Desse modo, o preconceito com doenças mentais na sociedade brasileira gera a ocultação, em clínicas médicas, das pessoas que não se enquadram dentro de um perfil esperado de normalidade, engendrando a exclusão social.

Ademais, o estigma e a falta de informação sobre doenças mentais fazem com que muitos indivíduos, com sintomas dessas patologias, não busquem ajuda especializada. Nesse contexto, pesquisas aventadas pela Organização Mundial de Saúde revelaram que menos da metade das pessoas com os primeiros sinais de transtornos, como pânico e depressão, procura ajuda médica por temer julgamentos e invalidações. Assim, o preconceito da sociedade brasileira com as doenças mentais faz jus com que a busca por tratamento, por parte dos doentes, seja evitada, aumentando, ainda mais, o índice de brasileiros debilitados por essas mazelas.

Portanto, é necessário que o Estado, em conjunto com o Ministério da Saúde, informem a população sobre a que são, de fato, as doenças mentais e a importância do tratamento para que o estigma associado a eles finde. Tal tarefa será realizada por meio de expansivas campanhas publicitárias nos veículos de comunicação em massa, como a internet e a televisão, com profissionais de saúde especializados no assunto, o que fará com que o povo brasileiro seja elucidado sobre essas patologias rapidamente. Sendo assim, episódios de abandono e preconceito associados a transtornos mentais, como o de Rubião, estarão apenas nos livros.

Isabela Alves Saraiva de Sousa, de Brasília/DF

A Organização Mundial da Saúde trouxe, para a atualidade, um conceito ampliado de saúde, o qual abrange a promoção de uma vida saudável não só por meio do corpo físico, como também por meio da integridade psicológica. Contudo, apresar da importância dessa atualização, ainda existe um forte estigma associado às doenças mentais, o qual também se reverbera no contexto brasileiro. Sobre esse enfoque, destacam-se aspectos sociais e profissionais. Assim, medidas são imprescindíveis para sanar tal impasse.

Primordialmente, deve-se pontuar que aqueles que possuem algum tipo de transtorno psicológico são, normalmente, os primeiros a reafirmarem um juízo de valor negativo com relação à sua própria saúde. Nesse aspecto, evidencia-se que, na sociedade brasileira, existe um notório construto de naturalização dos sintomas indicadores de problemas psíquicos, o que desencoraja a busca por auxílio médico. Nesse viés, pode-se analisar o olhar sob a perspectiva da filósofa Simone de Beauvoir. De acordo com sua análise, mais escandalosa que a existência de uma problemática é o fato de a sociedade se habituar a ela. Ao traçar um paralelo com a temática das doenças psiquiátricas, aponta-se que os indícios da existência de um problema de ordem mental são comumente vistos como frescura e, assim, são normalizados. Dessa maneira, torne-se uma realidade a resistência à busca por ajuda psicológica e, consequentemente, a associação de estigmas às doenças mentais.

Em segunda análise, é importante frisar que, no Brasil, é evidente a estigmatização de pessoas com doenças psíquicas no âmbito trabalhista. Nesse sentido, esse público é, não raro, excluído do mercado de trabalho, devido ao discurso de que são incapazes de exercer as atividades profissionais. Nessa senda, é possível mencionar o sociólogo Herbert Spencer, autor da teoria do Darwinismo Social. Consoante sua abordagem, as pessoas mais adaptadas socialmente – no caso, as que possuem a saúde psicológica íntegra – tendem a conquistar e a permanecer nas posições privilegiadas do corpo social. Em posse desse discurso excludente, muitos empregadores justificam a lamentável prática do capacitismo no cenário empregatício. Dessa forma, reforçam-se, cada vez mais, estigmas negativos atrelados à imagem dessa parcela social.

Em suma, ainda persiste, no Brasil, a estigmatização das doenças mentais. Logo, o Ministério da Saúde – responsável por efetivar processos relacionados à saúde pública no país – deve atuar diretamente na desconstrução do imaginário de que problemas psicológicos são normais ou frescura, ao veicular, nos meios de comunicação de massa, campanhas educativas que abordem a importância de procurar ajuda psicológica. Além disso, é necessário que o Poder Legislativo – a quem cabe a função de criar normas – elabore uma lei de cotas para pessoas com transtornos mentais, por meio de Emenda Constitucional. Com essas medidas, objetiva-se liquidar efetivamente o problema do estigma associado a doenças mentais. Desse modo, a atualização do conceito de saúde realizada pela OMS será consolidada no contexto brasileiro.

Giovanna Benvenute, de São Paulo/SP

Na série “Spin out” da Netflix, A mãe da personagem principal, Carol, sofre de bipolaridade, um transtorno que a faz, ter episódios de obsessão com suas filhas; que lutam para esconder a realidade da mãe, por deslustre e medo dos estigmas relacionados as doenças mentais empregados na sociedade. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada na série é retratada atualmente na sociedade brasileira, onde os cidadãos com psicopatologias preferem ocultar-se ao procurar tratamentos, por medo de julgamentos e pela falta de atendimento qualificado.

É relevante abordar, que durante 1903 foi fundado o hospital colônia de Barbacena, onde eram isolados os doentes mentais, que foram submetidos ao frio, a fome e doenças. Sendo submetidos a tortura, violência e posteriormente a morte. Sua última cela foi desativada em 1994, entretanto por infelicidade a exclusão de pacientes da psicopatia ocorre até os dias atuais. Esse panorama acontece porque a maioria dos governantes, grupos essenciais para a erradicação dos estigmas sociais referentes as doenças mentais, interessa-se, geralmente apenas pelo superficial, negligenciando a estipulação social em torno dos cidadãos. Mostra-se, portanto, que a colossal exclusão relacionasse com a deficiência informativa reproduzida no Brasil pelos seus governantes.

Outrossim, vale ressaltar que de acordo com o artigo sexto da constituição federal brasileira, a saúde é um direito humano de qualquer cidadão brasileiro. Nesse viés, o atendimento desqualificado bem como a falta de profissionais qualificados, impõe a quebra desses direitos, pois, os tratamentos para as doenças mentais são inacessíveis a maior parte de seus portadores. Destarte, constata-se que a falta atendimento qualificado, interfere na visão social sobre os portadores de psicopatologias ferindo os princípios constitucionais e impedindo a desestigmação das doenças mentais no Brasil.

Contudo, cabe aos Estados, por meio de leis e investimentos, com um planejamento adequado, estabelecer políticas públicas efetivas que erradiquem os estigmas associados a doenças mentais no Brasil. É de suma importância que as instituições educacionais promovam, por meio de campanhas de conscientização para os alunos e seus responsáveis informações sobre as doenças psíquicas, entendendo a importância de um tratamento indiferente no meio social com o intuito da interação social livre de estigmas no Brasil.

Júlia Sampaio, de Imperatriz/MA

No filme estadunidense “Coringa”, o personagem principal, Arthur Fleck, sofre de um transtorno mental que o faz ter episódios de riso exagerado e descontrolado em público, motivo pelo qual é frequentemente atacado nas ruas. Em consonância com a realidade de Arthur, está a de muitos cidadãos, já que o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira ainda configura um desafio a ser sanado. Isso ocorre, seja pela negligência governamental nesse âmbito, seja pela discriminação dessa classe por parcela da população verde-amarela. Dessa maneira, é imperioso que essa chaga social seja resolvida, a fim de que o longa norte-americano se torne apenas uma ficção.

Nessa perspectiva, acerca da lógica referente aos transtornos da mente no espectro brasileiro, é válido retomar o aspecto supracitado quanto à omissão estatal nesse caso. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil é o país com maior número de casos de depressão da América Latina e, mesmo diante desse cenário alarmante, os tratamentos às doenças mentais, quando oferecidos, não são, na maioria das vezes, eficazes. Isso acontece pela falta de investimentos em centros especializados no cuidado para com essas condições.

Consequentemente, muitos portadores, sobretudo aqueles de menor renda, não são devidamente tratados, contribuindo para sua progressiva marginalização perante o corpo social. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, buque as descreve como presentes na sociedade, mas que não cumprem seu papel com eficácia. Desse modo, é imprescindível que, para a completa refutação da teoria do estudioso polonês, essa problemática seja revertida.

Paralelamente ao descaso das esferas governamentais nessa questão, é fundamental o debate acerca da aversão ao grupo em pauta, uma vez que ambos representam impasses para a completa socialização dos portadores de transtornos mentais. Esse preconceito se dá pelos errôneos ideais de felicidade disseminados na sociedade como metas universais. Entretanto, essas concepções segregam os indivíduos entre os “fortes” e os “fracos”, em que os fracos, geralmente, integram a classe em discussão, dado que não atingem os objetivos estabelecidos, tal como a estabilidade emocional. Tal conjuntura segregacionista contrária o princípio do “Espaço Público”, da filósofa Hannah Arendt, que defende a total inclusão dos oprimidos — aqueles que possuem algum tipo de transtorno, nesse caso — na teia social. Dessa maneira, essa celeuma urge ser solucionada, para que o princípio da alemã se torne verdadeiro no país tupiniquim.

Portanto, são essenciais medidas operantes para a reversão do estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira. Para isso, compete ao Ministério da Saúde investir na melhora da qualidade dos tratamentos a essas doenças nos centros públicos especializados de cuidado, destinando mais medicamentos e contratando, por concursos, mais profissionais da área, como psiquiatras e enfermeiros. Isso deve ser feito por meio de recursos liberados pelo Tribunal de Contas da União — órgão que aprova e fiscaliza feitos públicos—, com o fito de potencializar o atendimento a esses pacientes e oferecê-los um tratamento eficaz. Ademais, palestras devem ser realizadas em espaços públicos sobre os malefícios das falsas concepções de prazer e da importância do acolhimento das pessoas doentes e vulneráveis. Assim, os ideais inalcançáveis não mais serão instrumentos segregadores e, finalmente, a situação de Fleck não mais representará a dos brasileiros.

Maria Júlia Passos, de Niterói/RJ

A obra “Holocausto Brasileiro”, da escritora e jornalista Daniela Arbex, retrata as péssimas condições do maior hospital psiquiátrico do país, na cidade de Barbacena. Nesse livro, os pacientes são tratados por meio de métodos arcaicos e invasivos, desde agressões até choques elétricos, demonstrando a violência sofrida por indivíduos portadores de transtornos psíquicos. Assim, além de expor os abusos do sistema de saúde da época, o texto também é atual, uma vez que o preconceito e a omissão estatal perpetuam o estigma associado às doenças mentais.

Em primeiro lugar, cabe ressaltar que a desinformação da sociedade brasileira é o principal catalisador da discriminação. De fato, o avanço da tecnologia é responsável pela rápida disseminação de notícias, principalmente no meio digital, mas isso não significa que os cidadãos se encontram mais conscientes. Dessa forma, mesmo que diversos estudos atuais comprovem a relevância dos cuidados para com a saúde mental e a legitimidade dos distúrbios psicológicos, os flagelos da intolerância ainda se mostram presentes. Consequentemente, os indivíduos com depressão, ansiedade e outras condições especiais convivem em um ambiente degradante, o qual é marcado por preconceitos e tabus estruturais, enfrentando constantemente a invisibilidade social. De acordo com a escritora nigeriana Chimamanda Adichie, a rotulação das pessoas através de certa característica física marcante é responsável pela criação de histórias únicas que não representam a realidade. Nesse viés, ao criar estigmas baseados no estereótipo de que pessoas com doenças mentais seriam inferiores ou incapazes, a sociedade míope alimenta uma visão eugenista e tóxica, limitando as diversas possibilidades de manifestação do ser humano e a importância da pluralidade.

Ademais, a ausência de compromisso do Estado para com a saúde mental dos cidadãos é outro ponto que fomenta a problemática. De certo, a falta de incentivos na área da psiquiatria e na acessibilidade é a realidade enfrentada no país, resultando nos diagnósticos tardios e na própria exclusão de uma parcela significativa da sociedade. Segundo o filósofo John Rawls, em sua obra “Uma teoria da justiça”, um governo ético é aquele que disponibiliza recursos financeiros para todos os setores públicos, promovendo uma igualdade de oportunidades a todos os cidadãos. Sob essa óptica, torna-se evidente que o Brasil não é um exemplo do pensamento desse teórico, visto que negligencia as dificuldades enfrentadas pelos portadores de doenças mentais, submetendo-os à periferia da cidadania

Fica exposta, portanto, a necessidade de medidas para mitigar o estigma associado aos transtornos psíquicos. Destarte, as Secretarias de Educação devem desenvolver projetos nas escolas, por meio de palestras e de dinâmicas educativas, levando médicos e pacientes para debaterem sobre o preconceito enfrentado no cotidiano, uma vez que o depoimento individual sensibiliza os estudantes, com a finalidade de ultrapassar estereótipos negativos. Outrossim, o Ministério da Fazenda deve redistribuir as verbas, priorizando as áreas da psiquiatria e psicologia, direcionando maiores investimentos nesse setor negligenciado pelo Estado. Por fim, será possível criar um país mais democrático, afastando a realidade dos absurdos retratados na obra da escritora Daniela Arbex…

Fonte: Brasil Escola Enem. Uol.

Continue lendo

Agronegócio

Produtores locais serão beneficiados com novo laboratório de solos no Ifro campus Cacoal

Publicado

em

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), campus Cacoal, inaugurou na terça-feira 1, o Laboratório de Solos, Tecido Vegetal e Metais Pesados. A ação é uma parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), por meio do Convênio de Cooperação Técnica e Financeira 29/2018. O evento foi transmitido via da unidade.

Participaram da cerimônia representantes do IFRO, da ABDI, da Indústria do Café no Brasil (Abics), da Câmara Setorial do Café de Rondônia, da Assembleia Legislativa, do Governo do Estado e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).


Com mais de 14 mil pessoas qualificadas em 2020, 10 unidades presenciais distribuídas geograficamente em todo o estado, 9 Centros de Inovação Tecnológica nos campi (em Cacoal sendo justamente o da área de café) e com 1,2 mil servidores, o IFRO é uma instituição com potencial para ajudar a transformar o país, observa o Reitor Uberlando Tiburtino Leite.

“Além da formação profissional, o IFRO desenvolve ações de pesquisa e de extensão tecnológica que atendem diretamente a sociedade e, de modo especial, aos produtores rurais, por estarmos em um Estado com o perfil fortemente agropecuário. Para que possamos ter êxito nesse objetivo institucional, há a necessidade de implantarmos e reestruturamos laboratórios em diversas áreas. O laboratório de solos irá dar suporte às ações de pesquisa e ensino desenvolvidas na unidade, de forma especial o suporte direto aos produtores rurais por meio da análise de solos e da recomendação de adubação e correção, para que tenhamos cada vez mais o fortalecimento das cadeias produtivas ligadas ao setor agropecuário. Então, o IFRO fica muito feliz com a parceria com a ABDI e esperamos que em pouco tempo tenhamos o resultado positivo, por meio da melhoria dos indicadores agrícolas do nosso Estado e dos produtores atendidos na região de Cacoal”, diz o gestor.

Por meio de vídeo, o Presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, Igor Nogueira Calvet, falou sobre a reestruturação que vem ocorrendo no Brasil. “Isso faz parte de nosso programa de desenvolvimento e inovação regional, algo que a Agência vem perseguindo há algum tempo e que coloca algumas regiões do país, e agora de modo especial Cacoal, numa rota de desenvolvimento, e porque não desenvolvimento sustentável, através da adoção de tecnologias modernas. Esse laboratório certamente vai contribuir com os milhares de cafeicultores do estado de Rondônia, que somados ao projeto de identificação geográfica Matas de Rondônia, vai beneficiar toda a cadeia agroindustrial do estado”.

Também da ABDI, o Analista de Produtividade e Inovação da ABDI, Antônio Carlos Tafuri, falou das estruturas e contextos das instituições que fazem parte da área do café em Cacoal e região e dos ganhos que trará a implantação do laboratório no IFRO.

Entre os gargalos apontados estavam: “Produtores enviando amostras para o Sul do país, para Mato Grosso ou Minas Gerais, para serem avaliadas lá e muitas vezes perdendo o timing de uma política pública, por exemplo, relacionada à disseminação de mudas”. Ou no caso dos pequenos produtores, nem conseguindo realizar a análise devido ao custo.

O Vice Governador do Estado de Rondônia, Jose Atilio Salazar Martins, relembrou que no Brasil são apenas dez laboratórios como o implantado em Cacoal. “É uma equipe envolvida para trazer o bem-estar para os nossos produtores. Quero falar com você viveirista, que não vai precisar precisar mandar sua análise para ver o nematoide para o Rio Grande do Sul ou São Paulo e não poder ter sua contraprova. Vai mandar para cá agora, aqui no laboratório do IFRO em Cacoal”, ressaltou.

O Diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), Aguinaldo José de Lima, ressaltou o reconhecimento pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) da primeira Indicação Geográfica (IG), do tipo Denominação de Origem (DO), de café canéfora (robusta e conilon) sustentável do mundo, por meio do projeto Matas de Rondônia desenvolvido junto à Embrapa. Para ele, com o apoio de todos, juntos poderão ser criados diferenciais fantásticos.

Conforme o Presidente da Câmara Setorial do Café de Rondônia, Ezequias Brás Neto (Tuta Café), foi uma importante trajetória para se chegar a este momento. Ele disse que o mérito foi de uma equipe composta por várias pessoas e instituições. “O mérito é de um coletivo que entendeu que Rondônia precisava desse projeto, dessa Identificação Geográfica”.

“Esse laboratório vem para atender aos nossos produtores, para diminuir o sacrifício, sofrimento que eles têm de mandar suas amostras para Cuiabá ou Rio Grande do Sul, onde faz análise de solo, onde vê e devolve o problema, não temos como recorrer, não temos como discutir, estamos perdendo mudas. Esse laboratório veio para acabar com esse problema, para que nós possamos resolver de vez o problema dos produtores e dos alunos do IFRO, que além de fazer essas amostras, vão aprender”, completa Ezequias.

A criação e inauguração do Laboratório de Solos, Tecido Vegetal e Metais Pesados em Rondônia significa um momento ímpar para o estado na opinião do Deputado Estadual Cirone Deiró. “Com isso traremos mais qualidade na nossa produção agrícola, graças à parceria da ABDI com o IFRO que pôde proporcionar a instalação desse laboratório. Estamos em pleno desenvolvimento da agricultura em nosso estado e esse laboratório é de fundamental importância para que a tecnologia possa se fazer cada dia mais presente, garantindo qualidade, com isso vamos avançar muito na agricultura familiar e na agricultura de alta produção”, afirmou.

Representando o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Coordenador-Geral de Acesso a Mercados no Departamento de Cooperativismo da Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Mapa, Mateus Soares da Rocha, também ressaltou os benefícios que virão com a implantação do laboratório. Após as falas, foi apresentado o vídeo com as instalações do Laboratório e explicações do Professor do campus Cacoal, Rodolfo Gustavo Teixeira Ribas.

Na sequência, o Diretor-Geral do IFRO campus Cacoal, Davys Sleman de Negreiros, fez a entrega das primeiras análises de solos aos cafeicultores do município de Cacoal Juan Travain (presidente da Caferon – Cafeiculturas Associados das Matas de Rondônia) e Ronaldo Bento (tetracampeão em sustentabilidade ambiental – Concafé). Também foi assinado o Acordo de Cooperação entre IFRO e Caferon para rastreabilidade do Café.

SOBRE O LABORATÓRIO

A expansão e a reestruturação do Laboratório de Solos, Tecido Vegetal e Metais Pesados do campus Cacoal provêm do Convênio de Cooperação Técnica e Financeira n. 29/2018 entre a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o IFRO, celebrado em 3/12/2018, aditivado em 17/11/2020 e válido até 3/12/2021.

O valor previsto de recursos para a reestruturação do Laboratório do IFRO prevê um total de R$ 768.093,04, sendo R$ 481.908,05 (62,74%) de aporte financeiro da ABDI somados a R$ 286.184,96 (37,26%) de contrapartida econômico-financeira do IFRO.

A iniciativa é fruto de um diagnóstico realizado na região de Cacoal, no início de 2017, no âmbito de programa de desenvolvimento produtivo e inovação regional adotado pela Agência, naquela época. A cadeia agroindustrial do café foi considerada prioritária e, em 2018, foram elaborados dois projetos complementares e sinérgicos em prol daquela cadeia: a reestruturação do Laboratório do IFRO campus Cacoal, e a Indicação Geográfica Matas de Rondônia. Ambos os projetos contaram com plena participação e validação por atores públicos e privados, representantes da cadeia do café na região e no país.

O convênio realizado com a ABDI foi um dos mais altos dentro do IFRO, segundo o Professor Davys Negreiros, entre todas as parcerias realizadas para a estrutura que está sendo organizada em Cacoal contribuir para ser escrita uma nova história da cafeicultura no estado.

Todas as instituições federais, estaduais e municipais que auxiliam neste processo, que ele avalia, será para os produtores não mais pensar na exportação de commodities, mas sim na produção de cafés especiais, na qualidade e na valorização do produto. Nisso, a análise de materiais pesados contribuirá com a expedição de laudos aos produtores.

“Esse campus se junta a essa cadeia extremamente importante, eu sempre falo que o café é o que une instituições tão distintas, mas que tem um objetivo comum que é criar a qualidade, a valorização e essencialmente a identidade do café para o estado, para o Brasil e para o mundo”, finaliza Davys.

Fonte: Extra de Rondônia

Continue lendo
--Publicidade--

Publicidade

Publicidade

--Publicidade--

Artigos

Categorias

Mais Lidas

%d blogueiros gostam disto: