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Pai condenado injustamente por estuprar filhos é libertado

Justiça manda soltar pai que foi condenado injustamente a 27 anos de prisão por abusar sexualmente dos filhos. Na infância, as crianças foram obrigadas a mentir sobre os abusos para prejudicá-lo. Caso já havia passado pelo STF com negativa de ministra pela soltura

Por unanimidade, o Tribunal de Justiça de São Paulo mandou soltar, nesta sexta-feira (2), um pai que estava preso há um ano injustamente por estuprar os filhos. Na época, as crianças tinham 8 e 6 anos de idade.

O vendedor Atercino Ferreira de Lima Filho, de 51 anos, foi condenado a 27 anos de prisão por um crime que não cometeu. A sentença que o pôs atrás das grades foi baseada no depoimento dos seus filhos.

Os filhos admitiram, posteriormente, que foram obrigadas a mentir sobre os abusos para prejudicar o pai, que estava separado da mãe.

Atercino e a mulher se separaram em 2002 e os filhos Andrey e Aline ficaram sob a guarda da mãe, que foi morar na casa de uma amiga. Lá, os irmãos contam que sofriam maus tratos e fugiram de casa. Eles moraram em orfanato e quando saíram procuraram pelo pai e começaram uma batalha para provar a inocência dele.

Em 2012, Andrey (na época com 18 anos) registrou em cartório uma escritura de declaração em que afirmava que nunca havia sofrido abusos por parte do pai. “Eu, quando criança, era ameaçado e agredido para mentir sobre abusos sexuais.”

Curtir a família

Ao sair da penitenciária na manhã de hoje, Atercino celebrou a liberdade. “Gostaria de agradecer a Deus muito, a minha esposa, aos meus amigos. Quero ir para casa, comer uma pizza, cervejinha com meus amigos, curtir minha família, que eu mais amo e mais quero na minha vida”.

“Queria agradecer meus advogados que foram o máximo e, sem Deus primeiro, e sem a força deles, eu hoje estaria aqui preso”, completou.

O advogado de Atercino, Paulo Sérgio Coelho, afirmou que os filhos ficaram sem visitar o pai por quase um ano.

“Os filhos de Atercino ficaram 11 meses sem poder sequer visitar o pai aqui na Penitenciária em Guarulhos. Como até então eles eram vítimas de um processo de abuso sexual, não podiam ter contato com o preso. Com Atercino em liberdade, tanto a família quanto os advogados disseram que não pretendem acionar judicialmente a mãe que deu início às denúncias”, disse.

Filhos comemoram

Na saída da penitenciária, ao lado do pai, a filha Aline disse que quer “valorizar cada minuto, cada segundo, porque família é o que a gente tem de mais precioso”.

“Quero viver em harmonia, o que foi tirado da gente. É uma felicidade inenarrável. A gente estava esperando há tanto tempo e finalmente dar um abraço no nosso pai”, disse o filho Andrey.

Entenda o caso

Em 2002, Atercino Ferreira de Lima Filho e sua mulher se separam. Os filhos Andrey, 8, e Aline, 6, vão morar com a mãe, na casa de uma amiga. Em 2004, o Ministério Público denuncia vendedor por abuso dos filhos quando ainda era casado.

No ano de 2012, Andrey registra em cartório que foi forçado a acusar o pai mediante maus tratos. Dois anos depois, o caso chega ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a ministra Rosa Weber rechaça pedido. A nova versão do filho não foi levada em consideração e instâncias superiores não reexaminaram provas.

Em 2015, Aline faz declaração semelhante ao irmão negando os abusos. Em abril do ano passado, Atercino foi preso após o caso ser considerado transitado em julgado. Os filhos, na época, moravam com ele.

Sexta-feira, 2 de março de 2018, Atercino sai da Penitenciária José Parada Neto – Guarulhos I, onde cumpria pena injustamente.

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