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A investigação do MPF sobre o suposto massacre de índios mais isolados do mundo

Um suposto assassinato de índios que vivem isolados no Vale do Javari, no extremo oeste do Amazonas, está sendo investigado pelo Ministério Público Federal do Amazonas (MPF) e pela Polícia Federal (PF).

A suspeita é de que um grupo de garimpeiros ilegais tenha assassinado membros de uma tribo isolada no final de agosto.

A investigação, solicitada pela Funai (Fundação Nacional do Índio), foi instaurada após a denúncia de que garimpeiros foram vistos no município de São Paulo de Olivença (AM), que fica perto das terras indígenas, conversando sobre um suposto massacre. “Servidores da Funai fizeram o primeiro levantamento e entenderam ser necessário apresentar a denúncia”, disse a Funai, em nota.

Dois garimpeiros foram detidos e conduzidos a Tabatinga, onde prestaram depoimento e foram liberados. Em nota divulgada nesta segunda-feira (11), o MPF afirma que foi instaurado um procedimento para apurar o caso e há diligências em curso, mas não dará detalhes para “não prejudicar a investigação”. O órgão não confirmou o possível massacre, o número de mortes, nem o nome da tribo que teria sido atacada.

Em depoimento, os garimpeiros também não confirmaram as mortes e, até o momento, nenhuma prova foi encontrada. “Não é possível, portanto, confirmar a veracidade das mortes”, informou a Funai.

Porém, segundo a ONG de proteção às tribos indígenas brasileiras, a inglesa Survival International, mais de dez índios teriam sido assassinados. Entre os mortos, inclusive, estariam mulheres e crianças.

Caso o número se confirme, as mortes representariam até um quinto de uma tribo inteira, e o massacre seria a maior tragédia contra indígenas que vivem sem contato com a sociedade em 24 anos. Em 1993, garimpeiros invadiram uma reserva indígena em Roraima e mataram 16 índios Yanomami, da aldeia Haximu.

Ainda de acordo com a organização, as mortes teriam ocorrido perto do rio Jandiatuba, dentro do território indígena Vale do javari. Os garimpeiros teriam se vangloriado dos assassinatos, mostrando “troféus” pela região, como as flechas e objetos indígenas.

Também divulgada pela organização, uma foto de satélite datada de dezembro de 2016 mostra ocas queimadas na região, o que indicaria “evidências de um ataque”.

A área sob investigação fica nas proximidades dos rios Jandiatuba e Jutaí, próximo à fronteira com o Peru, a cerca de 1.000 km de Manaus. O Vale do Javari é conhecido como “Fronteira Isolada Amazônica” porque tem o maior registro de índios isolados do mundo. “As tribos isoladas são os povos mais vulneráveis do planeta”, acrescentou a organização.

Críticas ao governo Temer

De acordo com a agência Amazônia Real, a atividade garimpeira ilegal na região do Jandiatuba acontece há anos, mas se agravou desde 2016.

Conforme informou o coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental do Vale, Gustavo Sena, as dargas (equipamentos utilizados para extração de minério) ultrapassaram os limites das terras indígenas e garimpeiros ameaçam a população local. “Todo o entorno da TI Vale do Javari sofre pressão externa”, disse à agência.

Isso ocorre, segundo a ONG Survival International, por causa da redução do orçamento do governo brasileiro para a proteção dos territórios indígenas.

“O corte no orçamento da FUNAI deixou dezenas de tribos isoladas sem defesa contra milhares de invasores – garimpeiros, fazendeiros e madeireiros – que estão desesperados para roubar e pilhar suas terras. Todas estas tribos deveriam ter tido suas terras devidamente reconhecidas e protegidas há anos”, disse o diretor da Survival International, Stephen Corry. “Caso tais relatos sejam confirmados, o Presidente e seu governo possuem uma grande responsabilidade por este ataque genocida.”

A ONG acrescentou ainda que outras tribos isoladas, como os Kawahiva e os Piripkura, também podem ter sido invadidas e estão cercadas por centenas de fazendeiros e invasores.

“O governo do Presidente é extremamente anti-indígena, e possui laços fortes com a poderosa bancada ruralista. O apoio aberto do governo àqueles que querem abrir territórios indígenas é extremamente vergonhoso, e este suposto massacre poderia ter sido, e foi, previsto.”

Fonte: MSN

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